José Eduardo Agualusa e Mia Couto escrevem sobre a Angola e Moçambique da maneira que os escritores brasileiros deveriam escrever sobre o Brasil. Para início, esses autores deveriam ser lidos por um brasileiro como alguém que bebe água para matar uma sede que sequer sabe estar sentindo — mas que já se adivinha, apesar de. (se por ventura soubessem em que contexto foram escritos, mas não fazem a mínima ideia. Para imensa parte dos brasileiros não existe nem literatura portuguesa além Camões, Eça e Pessoa, quem dirá a africana) Literatura corajosa. Põem a pele em risco, e mais: sem o medo de perder privilégios. Privilégios. O medo de os perder, infelizmente, costuma ser bem maior que o de pôr a própria pele em risco. E no entanto não sei ao certo qual dos dois é mais letal.
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