quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Agualusa e Mia Couto, urgente, para brasileiros

José Eduardo Agualusa e Mia Couto escrevem sobre a Angola e Moçambique da maneira que os escritores brasileiros deveriam escrever sobre o Brasil. Para início, esses autores deveriam ser lidos por um brasileiro como alguém que bebe água para matar uma sede que sequer sabe estar sentindo — mas que já se adivinha, apesar de. (se por ventura soubessem em que contexto foram escritos, mas não fazem a mínima ideia. Para imensa parte dos brasileiros não existe nem literatura portuguesa além Camões, Eça e Pessoa, quem dirá a africana) Literatura corajosa. Põem a pele em risco, e mais: sem o medo de perder privilégios. Privilégios. O medo de os perder, infelizmente, costuma ser bem maior que o de pôr a própria pele em risco. E no entanto não sei ao certo qual dos dois é mais letal.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

palrice e fotografias

Gosto de fotografias. Elas dizem tudo sem precisar de palavras. E se às têm é só por conveniência ou como acessório, mas são também dispensáveis. As fotos dispensam o sujeito que as faz em prol dos objetos que fixam. É o seu signo: ser o nosso olhar nos olhos de um outro. Ando tão farto de burrice e de idiotas. Se me fosse possível suspender a palrice que me incomoda e vence em mim por frestas que nem sei, calava-me e isolava-me de tudo o que significasse estar público.